CHEFE OU CIGARRO

Por Jair Donato*

Você já teve um “chefe intragável” no trabalho? Se não, desejo que nunca o tenha, embora na vida tudo seja aprendizado. Mas, essa é uma figura ainda presente em muitas organizações. Geralmente, ele é pouco inspirador, é manipulador, narcisista, agressivo, coercitivo, cuja presença não agrega valor positivo no ambiente, pois gera medo. Manda por deleite e pela força do cargo, em detrimento da inabilidade de influenciar por estilos de liderança que agregam valores saudáveis.

 

Ao falar sobre “chefe”, evidente que não me refiro ao cargo, mas ao comportamento de quem o exerce. Há muitos líderes que se tornam exemplos formidáveis no processo de desenvolver pessoas, cujo organograma da empresa em que trabalham mantém a denominação de chefe. Sem problemas, talvez isso seja melhor do que maquiar uma função, denominando-a como “liderança” alocando nela um perfil comportamental repressor. Nome da função é só um rótulo, a atitude é o que valoriza ou desvaloriza.

 

Um artigo publicado recentemente na rede Linkedin revelou analogamente que um chefe ruim pode fazer mal a saúde dos funcionários tanto quanto alguém que fuma passivamente. Os males que o cigarro provoca são mais de cinquenta, em função de mais de 4700 substâncias tóxicas inaladas por quem faz uso dele. O fumante passivo passa a ser a todo aquele que fica no próximo do fumante e inala a fumaça expelida, ainda mais contaminada. E os alvos mais fáceis de serem atingidos pelo tabaco no organismo são o coração e o pulmão.

 

De maneira semelhante, a influência de chefes intragáveis e intransigentes desencadeiam sentimentos negativos como mágoa, frustração e medo. Isso gera patologias das mais diversas e atinge o coração de muita gente. A cultura de coerção, do temor e da falta do reconhecimento é comum em ambientes permeados por chefes. Segundo a publicação citada, para 75% dos americanos os chefes são os mais responsáveis pelo estresse no ambiente de trabalho. Quanto mais tempo se permanece ao lado de chefes ruins, menor a probabilidade de qualidade à saúde física e mental.

 

É enorme o número de ditadores e manipuladores que se perderam ao longo do tempo, massacraram equipes inteiras, por terem exercido uma influencia negativa, manipuladora. Infelizmente, pela necessidade financeira, e até psicológica, muita gente permanece e se conforma com empregos estressantes dessa natureza, pelo medo, dificuldade de sair da situação ou despreparo, evitam pedir demissão e não conseguir outro trabalho em seguida.

 

Dificilmente um funcionário se demite da empresa em que trabalha, geralmente ele se demite do chefe que possui, assim pontuou o pai da administração moderna, Peter Druker. Então, qual dos dois seria mais saudável, um chefe ruim ou o cigarro? Nenhum, a princípio. Contudo uma chefia intragável afeta a saúde física e ainda contamina o estado psicológico e emocional dos subordinados a ele. Quant o tabaco, não se discute. Desintoxicar-se dessa antagônica realidade pode ser o passo para melhorar a qualidade de vida do profissional.

 

Jair Donato* – Psicólogo, Jornalista, escritor, editor, professor universitário, mestre em Ensino Acadêmico, consultor, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.

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