QUAIS SÃO SUAS CRENÇAS?

Por Jair Donato*

Até que ponto as crenças que você possui limitam a obtenção dos resultados esperados na sua vida? Você já parou para refletir que poderia ser mais produtivo se conhecesse melhor aquilo que você realmente acredita? Será que o que você pensa sobre dinheiro, amor, sexo, felicidade, saúde, sucesso e uma série de outras concepções é o mesmo que pensam as pessoas que convivem ao seu redor? O que os difere então? O que pode ser percebido é que a identidade do homem é formada a partir das crenças e valores que orientam cada um desde tenra idade, marcados antes de tudo pela subjetividade. E cada indivíduo possui moldes mentais distintos, são frames que modelam o próprio modo de ser delineados pelas percepções, experiências e vivências peculiares.

O que há em você que impede seu crescimento na carreira ou no relacionamento interpessoal? Como o indivíduo vive num mundo de escolhas, e com a probabilidade de poder modifica-las, torna-se importante orientar o comportamento frente às diversas situações modificando antes as crenças que são limitantes. Muito daquilo que te disseram ainda na infância, e isso para você não está consciente, pode limitar seu desempenho hoje. Parece também que algumas pessoas não mudam e acreditam nessa situação, é quando negam o desejo de mudança.

Todo indivíduo vive em função de um sistema de crenças que ele cria. Pode tornar-se mais livre ou não com o uso desse sistema, em função do que representa pra ele os modelos preservados e alimentados internamente. O pensamento gira em torno dessas referências internas. Há um axioma oriental que diz que a rã do poço não sabe que existe o oceano. Cada um possui uma noção de limite que nem sempre corresponde com a relação espaço-tempo em que vive. Há quem deseja a saúde e atrai a doença, quer um salário melhor e isso não acontece, outros se especializam, mas perdem as melhores oportunidades, é como se patinassem, dificilmente chegam aonde desejam. Sequer percebem que podem ser traídos pelo próprio campo de crenças.

Há um conto do Japão feudal, em que um pequeno batalhão estava prestes a enfrentar um exército muito maior. O general, preocupado com a reputação dos homens dele, resolveu adentrar em um templo que havia à beira da estrada para orar. Algum tempo depois ele sai, reúne todos os soldados e joga uma moeda ao ar, dizendo: – Nosso destino está nas mãos dos deuses. Se der cara, venceremos; se der coroa, perderemos. Então, a moeda cai e todos os homens exultam. Deu cara, e todos partem confiantes, para derrotar o exército inimigo que era numeroso.

Após longa e árdua batalha, eis que o destacamento menor vence o maior, exatamente como havia sido previsto. Um dos soldados se aproxima do general e disse: – Realmente, ninguém pode ir contra a sorte designada pelos deuses. O general apenas sorri e mostra a moeda. Ambos os lados era cara. A moral da história é que cada um deve fazer a própria sorte, estruturar as crenças, modifica-las quando necessário for e assumir a responsabilidade de si.

Crença é algo que ocorre internamente e pode motivar o alcance daquilo que antes era percebido como impossível. Certa vez disse Henry Ford: “Se você acha que pode ou se acha que não pode, de qualquer maneira, você está certo”. Pois a crença é sua, se acha a vida é repleta de cara e coroa ou que tem mais coroa do que cara e vice-versa, assim poderá ser. Crenças formam um sistema que motiva o comportamento humano, limitando-o ou impulsionando-o. Ao pensar sobre si mesmo, sobre o meio em que vive e sobre as pessoas ao seu redor, no que de verdade você acredita?

Jair Donato* – Psicólogo, Jornalista, escritor, editor, professor universitário, mestre em Ensino Acadêmico, consultor, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.

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