Mecanismos básicos de defesa frente a eventos traumáticos

São diversos os mecanismos que o indivíduo faz uso, desde tempos primórdios, como recursos que o cérebro encontra para garantia de sobrevivência. Ocorre que nem sempre a repetição desses mecanismos traz ganhos essenciais. O indivíduo apresenta mecanismos de defesa a eventos traumáticos, aprendido desde o desenvolvimento dos primeiros organismos vivos, há milhões de anos. LUTA e FUGA são alguns dos mecanismos básicos observados como instinto de defesa e sobrevivência do cérebro reptiliano, tanto em animais como nos humanos. No entanto, há um padrão de resposta defensiva emergido das camadas subcorticais mais primitivas, que é a IMOBILIDADE ou CONGELAMENTO. Referenciado no reino animal como TANATOSE, ele é um recurso facilmente utilizado pelos animais, após o esgotamento diante da impossibilidade de lutar ou fugir de uma presa, daí se finge de morto para sobreviver. No indivíduo, este mecanismo é acionado mediante altas sobrecargas de pressão no sistema nervoso advindas de pânico, medo e sensações de terror, o que pode trazer consequências por muito tempo após o episódio desencadeante. É quando a pessoa paralisa, fica sem ação. Para esses casos, os recursos psicoterapêuticos mais eficientes são os que atingem além das camadas pré-frontais e corticais do cérebro, como sistema límbico e mesencéfalo, pela eficácia que mostram na autorregulação e reprocessamento do sistema e das emoções advindas dos eventos traumáticos de grande impacto. O Brainspotting é um dos métodos indicados para esses manejos.

Tais mecanismos de defesa e sobrevivência a eventos traumáticos se resultam de um longo aprendizado decorrente de milhões de anos de evolução do cérebro, voltados para autorregulação e sobrevivência do ser, desde épocas longínquas em que a luta prela sobrevivência no mundo animal era mais ferrenha. Originam-se de tempos selvagens que tanto homem como o animal se mantinham mais expostos ao perigo, aprendizado que amigdala até hoje preserva, quando dispara ao pressentir qualquer perigo, medo, ameaça, ataque ou pavor. Logo, o trauma não é um evento apenas psicológico, ele tem consequências biológicas, com leves e graves proporções, fenômeno que pode ser reprocessado pela autorregulação do sistema nervoso. Tamanha é a contribuição surgida da junção neurobiológica com a psicologia, em favor da qualidade de vida.

Por Jair Donato – Psicólogo, Brainspotter, Jornalista.

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